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Brazil Data Corp
Manual básico da plataforma
Como ler o BDC

Dados públicos viram contexto, evidência e próximos passos de análise.

Este manual explica o que significa cada informação do Radar Territorial, do Dossiê por CNPJ e da trilha de auditoria. A regra principal é simples: o BDC organiza sinais públicos para apoiar a análise humana; ele não emite score, crédito aprovado, certidão negativa ou conclusão automática.

Leitura correta: valores e sinais indicam materialidade pública documentada ou hipótese operacional. Eles não significam faturamento, lucro, patrimônio, limite de crédito, irregularidade ou relação privada comprovada.

1. Visão geral

O BDC tem três camadas principais. O Radar ajuda a escolher o que merece atenção em um território. O Dossiê explica por que uma empresa apareceu. A Auditoria mostra onde a evidência foi encontrada.

1Radar Territorial

Mostra empresas, segmentos e sinais relevantes em uma cidade.

2Dossiê por CNPJ

Monta a linha do tempo da empresa com fatos públicos e contexto.

3Trilha de auditoria

Exibe fonte, arquivo, posição no snapshot, hash e campos do registro.

4Exportação

Gera relatório para leitura, reunião ou conferência documental.

2. Como ler o Radar Territorial

O Radar responde: quais empresas ou setores merecem análise neste território e por quê?

InformaçãoO que significaComo usar
CNPJs ativosUniverso cadastral ativo no município.Serve para entender o tamanho do território. Não é lista de oportunidades.
Empresas no recorteEmpresas que passaram por filtros básicos, como atividade, localização e exclusões do ranking.Mostra o universo analisável depois da limpeza inicial.
Registros territoriaisEmpresas exibidas no resultado priorizado.Use como lista inicial de análise, não como recomendação automática.
Conferência documentalCasos que exigem leitura do dossiê antes de qualquer conclusão.Priorize a conferência de fonte, fase da despesa, valor, sanções e contexto.
Impacto Top 10Materialidade pública identificada nas primeiras posições.Mostra concentração de sinais. Não representa faturamento.
Potencial estimadoFaixa conservadora de oportunidade comercial ou institucional.Use como indicador de priorização, nunca como crédito aprovado ou receita garantida.
MomentumO que mudou recentemente: sinais em 30/90 dias, retomadas, aceleração ou novos vínculos públicos.Ajuda a entender urgência e movimento, não apenas histórico.
SegmentosAgrupamento por setor econômico, como saúde, construção, tecnologia ou serviços.Permite escolher um foco por território.
Futuro documentadoOrçamento, programas, LOA/PPA/PAC, convênios ou frentes futuras associadas ao setor.Use para observar onde pode haver demanda futura. Não garante contratação.

Como ler um card de empresa

Empresa e CNPJ

Identidade cadastral da empresa. CNPJ com 14 dígitos deve aparecer formatado, por exemplo: CNPJ 10.539.929/0001-47.

Materialidade pública identificada

Valor encontrado em registros públicos associados ao CNPJ. Não é faturamento, lucro, patrimônio ou limite de crédito.

Bases públicas

Quantidade de bases onde a empresa apareceu, como compras, despesas, emendas, favorecidos PJ, Receita Federal ou CNJ.

Motivo principal

Resumo do porquê a empresa entrou no recorte: recência, valor, múltiplas bases, aceleração, retomada ou mudança societária.

Frentes de análise

Hipóteses de leitura setorial, como recebíveis públicos, estoque, equipamentos, seguro garantia, folha, frota ou contratos.

Ver ecossistema

Mostra relações públicas confirmadas, correlações operacionais e oportunidades setoriais. Relações privadas só são fato quando houver documento direto.

3. Como ler o Dossiê por CNPJ

O Dossiê responde: por que esta empresa apareceu e quais evidências sustentam a leitura?

CampoSignificadoLeitura segura
Materialidade auditadaSoma ou recorte curado de registros com valor estruturado.Não é faturamento. Conferir se há sobreposição entre compra, empenho, liquidação, pagamento e recebimento.
Maior ocorrênciaMaior evento individual encontrado no dossiê.Abra a linha para conferir fonte, órgão, objeto, data e fase.
SançõesConsulta a bases como CEIS, CNEP e CEPIM quando disponíveis.“Não identificadas” não substitui certidão negativa formal.
Judicial CNJSinal estatístico ou retorno DataJud por raiz/documento.Não substitui certidão judicial nem consulta processual formal.
Fatos cronológicosLinha do tempo de abertura, alterações, compras, despesas, emendas, licitações e favorecidos PJ.Leia a história da empresa por ordem temporal.
Evento sem valor financeiro informadoRegistro público existe, mas a linha não trouxe valor monetário estruturado.Use como vínculo documental ou ponto de conferência, não como valor recebido.
Conciliação de valoresCompara índice territorial, valor bruto e possíveis eventos correlacionados.Evita somar duas vezes fases do mesmo fluxo público.

Radar x Dossiê: por que os valores podem diferir?

O Radar pode usar índice agregado amplo. O Dossiê mostra um recorte curado e auditável linha a linha. Por isso, um card pode mostrar R$ 4,38 mi e o dossiê mostrar R$ 3,25 mi, por exemplo. A diferença não é necessariamente erro; pode ser recorte, deduplicação ou fases sobrepostas do mesmo fluxo público.

Use assim
  • Comparar índice territorial e cronologia.
  • Conferir os maiores eventos.
  • Identificar fase: compra, empenho, liquidação, pagamento ou recebimento.
  • Registrar fonte e hash quando for usar a evidência.
Não use assim
  • Não tratar materialidade como faturamento.
  • Não somar todas as bases automaticamente.
  • Não concluir sanção, risco ou relação privada sem documento.
  • Não transformar hipótese setorial em prova.

4. Fonte, auditoria e limites

A trilha de auditoria existe para responder: onde esta informação foi encontrada?

Item da auditoriaO que significaComo usar
FonteBase pública ou origem do registro.Ex.: Receita Federal, Compras Públicas, Despesas, Emendas, CEIS, CNJ.
ArquivoCSV, base ou snapshot usado pelo BDC.Ajuda a localizar o dado no acervo.
Posição no snapshotLinha ou posição registrada no snapshot BDC.Se a fonte republicar ou reordenar o arquivo, use também CNPJ, valor, data e hash.
HashAssinatura curta do registro capturado.Ajuda a conferir que a evidência corresponde ao mesmo conteúdo.
URL/Fonte atualLink ou referência para conferência externa quando disponível.Use para validação manual, especialmente em decisões sensíveis.

Dicionário rápido de fontes

Receita Federal

Identidade cadastral, situação, CNAE, abertura e estabelecimento. Não prova faturamento.

Compras/Licitações

Indica contratação, item, fornecedor, órgão ou processo. Não significa pagamento recebido.

Despesas Públicas

Empenho, liquidação, pagamento ou fases do gasto público. Podem se sobrepor.

Emendas

Registro orçamentário ou documento de emenda. Pode ser vínculo de conferência, não necessariamente pagamento.

Favorecidos PJ

CNPJ localizado em registros públicos de favorecidos. Pode indicar presença em fluxo governamental; sozinho não prova recebimento naquela linha.

CEIS/CNEP/CEPIM

Bases de sanções, punições ou impedimentos. Quando houver achado, exige conferência documental.

CNJ/DataJud

Sinal judicial complementar. Não substitui certidão ou consulta individual em tribunal.

LOA/PPA/PAC

Orçamento e planejamento futuro. Indica frente potencial, não contratação garantida.

Fontes externas

Camada complementar de notícia, domínio oficial ou evidência web. Deve ser validada manualmente quando não estruturada.

5. Roteiro básico de uso

  1. Comece pelo Radar da cidade. Observe segmentos, materialidade, momentum e registros territoriais.
  2. Escolha poucas empresas. Priorize as que têm motivo claro: atividade recente, múltiplas bases, aceleração ou materialidade relevante.
  3. Abra o dossiê. Leia o resumo executivo e confira a linha do tempo antes de usar qualquer valor.
  4. Confira sanções e jurídico. Se houver CEIS/CNEP/CEPIM, CNJ ou conferência documental, trate como caso de cautela.
  5. Use a trilha de auditoria. Fonte, arquivo, snapshot e hash são a sustentação da evidência.
  6. Exporte apenas depois de revisar. Relatório exportado deve refletir uma leitura humana, não um encaminhamento automático.
Frase-chave para explicar o BDC: o Radar mostra o que merece atenção; o Dossiê explica por quê; a Auditoria mostra a prova e o limite da interpretação.

6. Perguntas comuns

Materialidade pública é faturamento?

Não. É valor localizado em registros públicos associados ao CNPJ ou ao recorte. Pode haver sobreposição entre bases.

“Sem sanção identificada” é certidão negativa?

Não. É ausência de achado no recorte consultado. Certidões formais devem ser obtidas nas fontes competentes.

O que é “Evento sem valor financeiro informado”?

É uma ocorrência pública sem campo monetário estruturado naquela linha. Ela pode servir como vínculo documental, mas não como valor recebido.

Relação provável prova vínculo privado?

Não. Relações privadas só devem ser afirmadas quando houver documento direto. Correlação e oportunidade setorial são hipóteses.

Por que abrir o dossiê?

Porque o card resume. O dossiê mostra datas, fontes, valores, fases, auditoria e limites.

Quando usar conferência documental?

Quando houver sanção, jurídico, valor alto, lacuna temporal, divergência de valor, mudança societária ou qualquer sinal sensível.